Blog do escritor Ferréz

Cadê o Choque na Orla?


Cadê o Choque na Orla?
Pra quem tá acompanhando ai a destruição dos famosos ‘puxadinhos da Orla” nome carinhoso para construções como: academias, campos de futebol e piscinas de luxo.
Os ricos do lugar, tão putos embora uma sentença favorável à abertura tenha saído em 2011, diferente das reintegrações de posse como acontece como nesse exato momento na Zona Leste, onde o pau come e todo mundo tem que sair na hora, apanha do Choque, sofre com incêndios e toma manguerada de água dos bombeiros no meio de tudo isso. O aviso chega dois dias antes pra todo mundo sair. No outro Brasil não. Demora 10 anos de um processo e mais 5 anos pra executar, isso porque não se trata de barracos e sim de piscinas, campos de futebol, coisa muito urgente que os barracos para o ser humano.
A abertura da orla ao público tramitava na Justiça há dez anos, desde que o Ministério Público do Distrito Federal entrou com uma ação.
Mas finalmente, sem tropa de choque, sem tumulto e sem fogo, os tratores e funcionários do governo do Distrito Federal têm retirado cercas, desmontado quiosques, derrubado puxadinhos .
Esses ricos usavam essas áreas de lazer particulares e ocupavam um espaço público ilegalmente incorporado às mansões e aos terrenos localizados às margens do Paranoá.
Por lei, os donos do país deveriam ter deixado uma faixa de 30 metros entre o lago e suas residências, aberta para ser usada por qualquer pessoa. Na prática, o acesso foi impedido e as construções particulares avançaram até a beira do lago ao longo de 80 quilômetros de orla. Proibindo qualquer pobre de transitar pelo local.
O primeiro trecho reformulado é um dos mais nobres de Brasília, a “Península dos Ministros”, no Lago Sul, onde ficam as residências do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) Olha ele ai, o cara que queria prender os meninos já com 16 anos, do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) Olha mais esse ai, um puta exemplo, e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Todos ficaram muito chateados, mas não desmarcaram seus almoços e jantares, nos próximos 60 dias, 37 lotes perderão a faixa de 30 metros à beira do lago. Ao todo, 439 imóveis serão atingidos.
Já se cogita ir pra outro país, já que o Brasil “já foi melhor” e está tomando aos poucos vergonha na cara.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que extinguiu uma ação com a qual a Associação dos Amigos do Lago Paranoá (Alapa) tentava impedir a demolição de seus puxadinhos irregulares.
Porra, vamos montar também uma ong pra ajudar a Associação dos Amigos do Lago Paranoá a continuar tentando impedir.
Como disse a Veja:
“Percebe-se que episódios como o Mensalão e a Operação Lava Jato indicam haver mudança cultural em curso com potencial para interferir na relação dos brasileiros com os espaços onde vivem.”
Olha que frase bonita, se fosse reintegração de posse de favelados ia ser algo como.
“Traumático foi o trânsito e o transtorno causado pelos invasores que colocaram fogo em pneus e causaram um caos pela cidade, impedindo as pessoas de chegarem a suas casas”.
Bom, algo de bom está mesmo que com tanta demora, acontecendo, os puxadinhos deles tão diminuindo também.
Ferréz

Ciclofaixa - cadeira de rodas - educação - Haddad - Marginais (ferréz)

Ciclofaixa - cadeira de rodas - educação - Haddad - Marginais
E foi substituído pelas reclamações do aumento de conta de luz, agora só se fala da mudança de velocidade das marginais. Eu que em primeiro lugar posso falar de mim, digo que tomei a muito tempo uma decisão de parar de ser idiota, andar mais devagar e assim, deixar apressadinhos, vidas loucas etc passaram, acho sinceramente que a vida é o bem mais precioso, se for para andar 10 km mais lento, tudo bem, para que o outro chegue em casa também.
O problema não é a ciclofaixa, o problema é o motorista de ônibus passar na contra mão para não andar mais meio metro e fazer a manobra certa, o problema é o motorista comum parar no meio da avenida sem ao menos dar seta e ainda querer agredir quem reclamar. O problema é o motoqueiro empurrar outro motoqueiro ao ponto de esse ter que passar o farol vermelho.
Ontem pela primeira vez tive que sair de cadeira de rodas, os pedestres literalmente me atropelaram, uma mulher querendo me passar, chegou a enganchar o pé na roda da cadeira e ainda me xingou, todos andam tão apressados quem nem sequer notam que estão sendo extremamente mal educados.
Quando coloquei a cadeira no elevador, a cara de desgosto das pessoas, e pior foi quando na rampa, muitas pessoas quase chegaram a pular a cadeira para passaram na minha frente.
Na boa, vamos falar a verdade, o problema não é a mudança de velocidade, não é o pouco espaço da ciclofaixa que vai foder sua vida, o problema mesmo é a educação, essa sim que não tem como virar obrigatória, que não tem como dar multa, e por isso está tão em desuso, quase todos estão no modo ausência ou diminuição significativa do uso da educação.
Se o tempo é rei, nos tornamos mendigos, e no meio disso perdemos o querer bem a nós e também ao próximo.
Ninguém é feliz sozinho. Nem um temporário cadeirante, nem o motorista que só gosta de andar a 90 km por hora.
Ferréz

Agenda Ferréz 2015

Agenda 2015
7/8 – Fundação Casa

8/8 - Encontro Literatura Marginal / Fábrica do Capão 16 horas.
10/8 - Rede TV - Entrevista e leitura.
14/8 - Sessão autógrafo Desterro na Nobel Shopping Mais largo 13 / 19 horas - Com Alexandre De Maio.
21/8 - Encontro Literatura Marginal / Raul Seixas/Praça da Sé.
12/9 - Encontro Literatura Marginal na Fábrica São Luiz / 16 horas.
14/9 - Primeira feira literária de Cidade Tiradentes (CFCCT) as 10 horas.
15/9 - Araçatuba / literária 2015 - Palestra e leitura: PalavrArmas.
16/9 - Três fronteiras - Palestra e leitura: Os ricos Também morrem.
16/9 - Rubinéia / viagem literária
17/9 - Birigui - Sessão de autógrafos após evento.
18/9 - Buritama - Palestra e leitura PalavrArmas.
25/9 - Lançamento PalavrArmas / Nobel Shopping Mais largo 13 / 19 horas.
27/9 - Apresentação PalavrArmas no Show Detentos Do Rap
10/10 - Encontro Literatura Marginal na Fábrica do Capão 16 hrs.
14/11 - Encontro Literatura Marginal na Fábrica da Brasilândia 16 hrs.
12/12 - Encontro Literatura Marginal na Fábrica do Capão 16 hrs.

Nesse Sábado no Sesc

Nesse Sábado tem Literatura Marginal no Sesc com Ferréz e Rodrigo Ciríaco. Pode pá que é tudo nosso.

http://www.sescsp.org.br/programacao/66309_A+LITERATURA+MARGINAL+PUBLICASE+UM+POR+TODOS+E+TODOS+POR+UM

Literatura Marginal nesse sábado no SESC

http://www.sescsp.org.br/programacao/66309_A+LITERATURA+MARGINAL+PUBLICASE+UM+POR+TODOS+E+TODOS+POR+UM

Encontro Literatura Marginal na Vila Nova Cachoeirinha

Vou estar na Vila Nova Cachoeirinha com a turma da Literatura Marginal - Marcos Teles, Wesley Barbosa, Elisabeth, Davi Aplick e muitos convidados.

A arte do país periferia - Ferréz



A arte do país periferia.
A periferia de um modo geral é conhecida pela noticiário criminal, Apesar do esforço do Datena, ainda conseguimos mostrar além de tudo a sobrevivência e muita arte.
Quem mora aqui sabe que tem algo mais do que os ônibus lotados, os barracos não rebocados, o aposentado recolhendo papelão, os motoboys voltando para casa, jovens com pipas nas mãos, donas de casa trazendo sacolas do mercado. 
A banca de jornal vende revista Caras, enchemos os olhos com uma mídia que não nos representa, mas no campo de futebol o menino sem camisa joga num time de várzea, chegando em casa todo suado, abrindo a geladeira e não vendo nada pra comer, então ele vai pra outro cômodo daquele barraco, pega suas latas de spray, ele não tem espaço para expor seus trabalhos, ele não terá catálogo nem sua obra renderia um centavo, talvez um tapa no rosto e as tintas usadas no próprio corpo, com um policial ameaçando de novo, mas o desenho no muro é finalizado, ele volta pro mesmo barraco, só que animado para um novo recomeço.
Em outra favela, o poeta trabalha até tarde para depois ir para o bar arrumar as cadeiras, preparar o som para logo a noite começar o sarau.
Toda semana tem no mínimo dois saraus, todo mês tem lançamento de livros aqui. Tudo bem que alguns livros são artesanais, acabamento precário, e muitas vezes não têm tiragem superior a 100 exemplares, mas eles se contrapõem ao livro que o projeto cultural do banco faz com o nosso imposto, livros de capa dura, páginas espessas, cores em alta definição, livros pesados e desajeitados, que trazem, em edições caras, páginas especializadas em vinhos. Tirar verba do transporte, da saúde, da educação, pra dar um livro tão grande a algum cliente para que se masturbe mentalmente deve valer alguma vaga num possível inferno, pode ser até o de Dante.
A nossa vida não tem de ser uma filial do Afeganistão, se tiver de ter uma guerra vamos declarar essa batalha contra a falta de informação, contra o preconceito e a ignorância, que mata nosso povo todo dia, seja não lavando as mãos antes de comer, ou contribuindo para uma previdência social falida.
Pra tudo isso ter sentido, precisamos do senso critico e isso pode ser obtido pela  arte, mas vital e honesta, arte de rua sem estereótipos e mesmo sem diplomas.
A arte não está só na reciclagem, hoje muitos já fazem permacultura, sem mesmo  saber o que significa a palavra.
Aqui é onde resíduos são aproveitados, o sapateiro faz arte em sua pequena loja cheia de solas velhas, o marceneiro criando sofá de madeira jogada em frente a sua casa, entre vielas e escadões, gritam os grafites, cenas do dia-a-dia que retratam o próprio artista e as pessoas que o cercam, sua própria visão da realidade e sempre estão em guerra contra o cinza da prefeitura.
O artista vive uma coletividade carente de recursos, mas tem o principal, a habilidade, e ela é exercida todos os dias, pois eles vivem em contato com pessoas da sua mesma origem, muitas vezes a dor que ele usa é de uma observação ou até mesmo de uma vivência própria.
Alguns dizem estar a um passo a frente, e por comodismo não se arriscam mais a fazer algo original e seus quadros, textos, obras, parecem ter saído de um molde, e a universidade não o é?
Falta de imaginação, onde na tela não cabia idéias, agora é vazia, apenas a vivência prática permite a autenticidade, ou esse texto mesmo seria sem nenhuma palavra.